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Casas e condomínios perdem valor e já podem ser compradas pela classe média

Campo Belo On-line size_960_16_9_casas-precos Casas e condomínios perdem valor e já podem ser compradas pela classe média

Morar em um condomínio fechado com segurança, área de lazer e contato com a natureza tem deixado de ser um luxo restrito a uma minoria abastada. A crise jogou para baixo o preço desses imóveis na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Agora, com R$ 650 mil é possível comprar uma casa com toda essa infraestrutura. Na capital, seria necessário um investimento milionário para aquisição de um imóvel equivalente.

Enquanto nos condomínios de luxo localizados na Região Metropolitana é possível comprar imóveis por menos de R$ 1 milhão, em Belo Horizonte, esse valor não paga nem o lote. No condomínio Fazenda da Serra, localizado na capital, por exemplo, existe um terreno à venda no valor de R$ 1,150 milhão. Uma casa pronta, disponível na mesma área, custa R$ 2,5 milhões.

Fazendo a análise do preço por metro quadrado, a discrepância fica mais evidente. Na RMBH esses valores giram em torno de R$ 3,5 mil nos condomínios. Já em Belo Horizonte, bate os R$ 10 mil. Essa diferença pode ser facilmente percebida em uma busca pelos sites de comercialização de empreendimentos imobiliários.

Quando foram concebidos, os condomínios nas cidades do entorno de Belo Horizonte também tinham preços acima dos adotados em outros tipos de imóveis. Essa reversão é um movimento bastante recente.

“No início, os condomínios eram voltados só para quem tinha o poder aquisitivo mais alto. Mas agora estão muito mais acessíveis, principalmente por causa da crise”, afirma o diretor da Alpha Sul, José Maria Tavares Lanna.

Crise
A recessão econômica impactou de várias formas nesse mercado. Em um primeiro momento, a queda da demanda forçou a baixa. Em seguida, o desemprego e, consequente, queda na renda das famílias. “Muitas pessoas que têm casas nesses condomínios e estão com situação financeira complicada, optam por vender os imóveis para comprar outros mais modestos”, afirma Lanna. E, muitas vezes, o patrimônio é colocado à venda em valores inferiores ao real custo, por puro desespero dos proprietários.

“Nos últimos cinco anos, houve um boom no mercado imobiliário, com a construção de vários condomínios. Mas como ninguém escapa da crise, muitos proprietários preferiram baixar os preços para fazer frente à concorrência”, afirma o gerente de vendas da Morada Imóveis, Roberto Almeida de Jesus.

Segundo ele, em Lagoa Santa, a redução média de preços dos imóveis em condomínios foi de 20% somente neste ano.

Já a demanda seguiu no sentido contrário, com uma retração estimada em, pelo menos, 10% neste ano.

Apartamentos maiores com custo bem mais em conta

Assim como as casas de condomínios, os apartamentos em Belo Horizonte também têm preços mais altos do que na Região Metropolitana. Com o mesmo valor, é possível comprar um imóvel em média 48% maior na Grande BH. Há cidades que a diferença chega aos 194% no caso de Ibirité.

Os dados compõem um levantamento feito pelo Viva Real, site de busca de imóveis. Dentre 11 cidades avaliadas, Belo Horizonte é a que tem o preço mais elevado.

Foi usado como referência um valor de R$ 348.847. Com esse investimento, é possível comprar um imóvel de aproximadamente 79 metros quadrados e dois quartos. Quem opta por comprar um apartamento em Contagem, com o mesmo valor, consegue uma área 25% superior, de 99 metros quadrados. Ou seja, é possível aumentar, por exemplo, o número de quartos.

A Head de Inteligência de Mercado do Viva Real, Aline Borbalan, lembra que os preços em cidades mais consolidadas normalmente são mais altos. O mesmo ocorre nos demais estados. Mas em Belo Horizonte, pesam outros fatores, como o alto custo do terreno.

Com poucas áreas disponíveis para construção, os lotes à venda têm ficado mais valorizados. Além disso, após a mudança da Lei de Uso e Ocupação do Solo, o potencial construtivo foi diminuído. Isso significa que a área que pode ser construída é menor do que em outras cidades.

“Por causa dos altos custos, os imóveis em Belo Horizonte acabam ficando mais caros. Os empreendimentos de alto luxo em bairros tradicionais de Belo Horizonte custam cerca de R$ 15 mil o metro quadrado. No Vale do Sereno, em Nova Lima, já é R$ 8 mil”, afirma a coordenadora de marketing da RKM Engenharia, Joana Prates.

Essa diferença de preços tem levado muitas pessoas que trabalham em Belo Horizonte a mudar para as cidades do entorno. Abrem mão de estar perto do trabalho para morar em um apartamento maior. Pensando nisso, as construtoras têm apostado nesse público. “Como está cada vez mais difícil encontrar terrenos em bairros tradicionais de Belo Horizonte, nós estamos buscando áreas que atendam o público que compraria esses imóveis de alto luxo. Tudo tomando o cuidado de manter o mesmo padrão de Belo Horizonte”, afirma Joana.

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